sexta-feira, 30 de abril de 2010

1ª de Maio dia do Trabalhador.




História do 1º de Maio
Por Gerson Carlos Pereira (Historiador)
Matéria CUT 1986 em comemoração os 100 anos de História da classe trabalhadora.
Os oito de Chicago
Em 11 de novembro de 1887, quatro operários são enforcados nos Estados Unidos. A história dessa condenação começa na cidade de Chicago. Naquela época, ser operário era o mesmo que não ver a luz do sol. Trabalhavam 14, 16 e até 18 horas diárias, partindo de madrugada e voltando tarde da noite, de maneira que não viam esposa e filhos durante o dia. Essas injustiças tinham que ser combatidas pelos operários.Por isso, em 1829, as primeiras manifestações pela jornada de 8 horas, em Nova York. Mais tarde, em 1850, grupos de trabalhadores criam as Grandes Ligas das oito horas em várias cidades dos Estados Unidos. Até 1886 os trabalhadores conseguem algumas vitórias: 20 Estados estabelecem jornada máxima entre 8 e 10 horas.
As lutas e uma bomba
Mas os momentos mais intensos acontecem a partir de 1º de maio de 1886. Para esse dia marcado greves em todos os Estados estadunidenses. Um líder operário expressa assim seu entusiasmo: Jamais na história deste país houve um levante tão geral entre as massas industriais. O desejo da diminuição da jornada de trabalho impulsionou milhares de operários a se filiarem às organizações existentes quando até agora haviam permanecido indiferentes à organização sindical. Nem tudo, porém, seria fácil, Em Milwaukee, 9 operários são mortos e a polícia reprime greves e manifestações. Em Chicago, a greve também é para 1º de maio. Quatro dias depois, há uma manifestação. O comício já estava acabando quando uma bomba jogada sobre os policiais mata um soldado. A polícia atira nos manifestantes, mata alguns trabalhadores e fere mais de 200 trabalhadores e trabalhadoras.



O processo
Os meses seguintes são de terror: estado de sítio, prisão de centenas de trabalhadores, jornais fechados e casas invadidas. Prendem oito operários, dirigentes do partido anarquista: um inglês, Fielden; cinco alemão, Spies, Schwab, Engel, Fisher, Ilingg, e dois estadunidenses, Neebe e Parsons.
O julgamento foi uma farsa, uma mentira ensaiada para condená-los. Desejavam matar o movimento e suas reivindicações. Sete operários são condenados à morte, e um deles, Neebe, a 15 anos de prisão.
A defesa apela e os operários acusados falam em lugar de seus advogados. Reafirmam a disposição de lutar ao lado dos trabalhadores e pelos ideais anarquistas. Em outubro de 1887, é confirmada a sentença. As organizações de trabalhadores se manifestam e pedem indulto dos condenados. O governador transforma a pena de Fielden e Schwab em prisão perpétua. Os outros cinco pedem liberdade completa ou morte. No dia 10 de novembro, um dos cinco, Lingg, morre na prisão. No dia seguinte, os quatro são enforcados.

As conquistas
Sete anos depois, em 1893, os três que ainda permaneciam na prisão foram libertados.
Mesmo antes de conquistarem a liberdade, Fielden, Neebe e
Schwab já sentiram o gosto da vitória. No dia 1º de maio de 1890, foi decretada pelo Congresso estadunidense a lei da jornada de trabalho de 8 horas diárias no país todo.
No Brasil, somente em 1932 foram conquistadas as 8 horas.
Na Europa, em 1889, no Congresso de Fundação da Segunda Internacional Operária, proclamaram o “1º de Maio” como o “ Dia dos mártires de Chicago e dos trabalhadores”. No Brasil, também, já comemorávamos o “1º de maio” feriado “ por ser data consagrada à confraternização dos mártires do trabalho”.
A Redução da Jornada no Brasil
No surgimento das primeiras indústrias no Brasil, a jornada de trabalho era a mais longa possível.
Os gráficos, metalúrgicos, marceneiros e serralheiros trabalhavam cerca de 9 horas e meia; 10 horas para os pedreiros, carpinteiros, ferreiros, pintores, ladrilheiros; 11 horas para os tecelões; 12 horas para as costureiras, bordadeiras, modistas, comerciários, barbeiros, padeiros, ferroviários e trabalhadores nos transportes coletivos. Os empregados da limpeza pública trabalhavam de 12 a 16 horas. Os portuários de Santos e Rio trabalhavam por volume ou tarefa e era o que o corpo suportasse.
As lutas pelas 8 horas
No ano de 1906, realiza-se no Rio de Janeiro o 1º Congresso Operário Brasileiro. Ali decidiram concentrar esforços na luta pela redução da jornada para 8 horas diárias, sem diminuição dos salários.
Em 3 de maio de 1907, operários de duas fundições solicitam a fixação da jornada de 8 horas e pagamento semanal. São atendidos. Outras categorias também reivindicam. Diante da recusa, entram em greve a construção civil, os metalúrgicos, alimentação, gráficos,sapateiros, limpeza pública, têxteis......
Os gráficos e a construção civil conseguiram o que queriam. Os têxteis, parcialmente. A greve durou mais de um mês.
Em 1908, estoura a greve dos trabalhadores das docas de Santos, que trabalhavam até 18 horas por dia, inclusive aos domingos. A violência da polícia vence, sendo obrigados a voltar ao trabalho sob a mira das armas
Em fins de abril e começo de maio de 1912, a fábrica de calçados Clark inicia a greve. Seguem-se os têxteis e sapateiros. Os sapateiros retornam ao trabalho após obter aumento salarial de 10% e jornada de 8 horas e meia. Os têxteis voltam ao serviço sem conseguir nada

A Greve Geral de 1917
Mas a luta mais conhecida desse período da história da classe operária brasileira é a greve de 1917, no Estado de São Paulo. Durante três dias, os grevistas e os moradores dos bairros operários tomam conta da cidade. A greve começou em uma fábrica na capital e se espalhou por Santos, Campinas e outras cidades do interior.
O Comitê de Defesa Proletário exigia, entre outras coisas: fim da exploração de trabalho do menor de 14 anos, fim do trabalho noturno para as mulheres e menores de 18 anos, jornada de 8 horas e descanso de 36 horas seguidas.
A polícia e o exército reprimiram, mas os patrões tiveram que conceder aumento salarial. A jornada de 8 horas não foi conquistada.
Muitas lutas aconteceram no século 20 no Brasil todo.
Depois das lutas do início do século, começaram a aparecer projetos de leis, regulamentos, inclusive sobre a jornada de trabalho. Somente em 1932, é regulamentada a jornada de 8 horas de trabalho.
Agora, 40 horas, depois....
Mesmo ás 8 horas sendo lei, os patrões não tomavam conhecimento. Além do mais, até hoje recorrem às horas extras, prolongando a jornada semanal.
Porém, isso não significa que os trabalhadores acumularam derrotas ao longo da história. Os bravos operários imigrantes que lutaram no final do século 19 e início do século 20 conseguiram, com muita raça, reduzir a jornada diária para quase a metade. Mas a luta continua.
Agora a luta é pelas 40 horas semanais, sem redução dos salários.
No dia 11 de novembro de 1887, quatro operários de Chicago foram enforcados por sua luta pelas 8 horas. No Brasil quantos operários foram assassinados por lutarem pela redução da jornada?
Waldemar Rossi e William Jorge Gerab.

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