sábado, 31 de março de 2012

Ocupar para combater a concentração da riqueza


Somos 99% contra 1%.” O mote do Ocupe Wall Street, segundo Stephen Lerner, um dos mentores do movimento, deu voz ao que muitos americanos pensavam, mas não conseguiam expressar. “A mensagem de que somos 99% e os super ricos apenas 1% capturou a imaginação de grande parte do país”, disse o ativista norte-americano a um público que lotou o Auditório Azul do Sindicato, nesta quarta-feira 28. A palestra também foi transmitida ao vivo pelo site e pela Rede Brasil Atual.

> Fotos: galeria com imagens da palestra

Para ele, a simplicidade da mensagem talvez tenha sido um dos trunfos do movimento, que começou com um grande acampamento no coração financeiro dos EUA, em setembro de 2011 – dois anos após o início da crise financeira –, e que rapidamente se espalhou para outras cidades do país e do mundo. “As pessoas começaram a perceber que se não têm dinheiro ou trabalho, a culpa não é delas. E muitos estão de fato questionando coisas que antes acreditavam ser inquestionáveis.” Como exemplo, citou dados de pesquisas que, segundo ele, apontam a maior parte da população americana como favorável ao aumento de impostos para os ricos e que Wall Street não produz riqueza.

“Estamos vivendo um período motivante. As pessoas estão tomando consciência do papel do capital financeiro na dominação da vida econômica e política do país. E é a primeira vez em muito tempo que os americanos médios estão desafiando a desigualdade crescente e a concentração de riquezas nas mãos de uma elite”, disse o ativista.

Para Lerner, a resposta violenta da polícia, com agressões e prisões em massa, diante do caráter pacífico do movimento também conquistou a simpatia da opinião pública. Além disso, as pessoas estão vivendo as consequências da crise, com a retomada de suas casas pelos bancos, o desemprego, a falta de crédito educativo.

“Quando começou a crise de 2008, Wall Street e os bancos receberam US$ 17 trilhões de ajuda do governo, enquanto que os trabalhadores de comunidades imigrantes e outras minorias perderam 60% de toda riqueza que possuíam.” E em pouco tempo, acrescentou, a crise acabou se tornando uma desculpa para tirar ainda mais da população. “A crise, causada pelos bancos, tornou-se uma desculpa para roubar ainda mais a riqueza dos americanos médios. A direita, Wall Strett e a Fox News usaram o que eles mesmos criaram para consolidar ainda mais seu poder, culpando o sindicalismo e os benefícios sociais pelos problemas do país.”

Antes da palestra, Stephen Lerner conversou com blogueiros e jornalistas e ressaltou a importância das mídias alternativas para o movimento que questiona o poder das instituições financeiras no mundo. “Usamos os blogs e a mídia social para engajar as pessoas. E no final do ano passado, quando a polícia acabou fechando os occupy ao redor do país, muitos acharam que o movimento ia minguar, mas com a melhora do tempo e a chegada da primavera, os occupy voltem a florescer novamente.”

Florescimento – Como exemplo desse renascimento, ele citou a resistência diante dos despejos promovidos pelos bancos. “A vizinhança se mobiliza e impede a tomada da casa.” Há ainda a retomada das casas que ainda continuam desocupadas. “Os moradores estão voltando para as casas que foram tomadas, mas que continuam vazias.” E ainda os protestos dos estudantes que acumulam quase US$ 1 trilhão de dívida por crédito educativo. “Em 25 de abril, quando a dívida dos estudantes alcança oficialmente 1 trilhão de dólares, eles vão se negar a pagar até que os bancos reavaliem os financiamentos. Uma nova ação vai ocorrer.”

Além disso, entre os dias 9 e 14 de abril, o movimento começa a experiência de treinamento para 100 mil voluntários que queiram participar de novas ações pacíficas. “As pessoas vão se cadastrar por meio das mídias sociais, e metade delas (50 mil) deve ser treinada virtualmente. É o que o movimento occupy está tentando fazer agora. Entender como trabalhar para construir um movimento gigante, que possa desafiar o poder. É uma grande batalha e só seremos vencedores se pudermos fazer essa campanha de diversas maneiras.”

Uma das atividades pensadas é entrar nos bancos e beijar as pessoas. “Já que estão tomando nosso dinheiro, vamos beijá-los.” Para o ativista, ações criativas e divertidas geram nas pessoas a sensação, verdadeira, de que elas também podem participar. Os ativistas também compraram ações dos bancos, para poder participar e levar seu protesto às reuniões de acionistas que serão realizadas neste mesmo mês.

Obama – Aos jornalistas, Lerner falou sobre a atitude da esquerda no governo de Barack Obama. “Se o movimento Occupy tivesse iniciado em 2008, talvez hoje tivéssemos um país diferente. Mas quando o Obama venceu, naquele mesmo ano, houve uma grande euforia entre sindicatos e progressistas. Achamos que todos os problemas seriam resolvidos e fomos dormir, enquanto isso a direita se organizou”, disse, citando como exemplo o ativismo conservador do movimento Tea Party. “A gente não gerou pressão nenhuma para combater esse ataque da direita. Então não é tão simples assim dizer que o Obama não quis fazer certas coisas. Uma das mudanças mais importantes que temos de promover nos Estados Unidos é a tomada de consciência de que devemos marchar sempre.”

Fonte: Fetec/CUT-SP

quinta-feira, 22 de março de 2012

Estável, taxa de desemprego é a menor para meses de fevereiro, aponta IBGE


Em 12 meses, seis regiões metropolitanas pesquisadas têm 130 mil desocupados a menos e 428 mil ocupados a mais. Rendimento médio atingiu seu maior valor
A diminuição do número de desempregados é reflexo da atividade econômica brasileira
São Paulo – A taxa de desemprego medida pelo IBGE em seis regiões metropolitanas foi de 5,7% em fevereiro, praticamente estável em relação a janeiro (5,5%) e a menor para o mês desde o início da série histórica, em março de 2002 – no ano passado, ficou em 6,4%. O número de desocupados (estimado em 1,378 milhão) não variou ante o mês anterior e recuou 8,6% na comparação com fevereiro de 2011, o correspondente a 130 mil pessoas a menos. Já os ocupados (22,611 milhões) também não variou ante janeiro e cresceu 1,9% em 12 meses, com 428 mil a mais. Da mesma forma, o total de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (11,2 milhões) ficou estável no mês e aumentou 5,4% em um ano, com acréscimo de 578 mil postos de trabalho formais.
O rendimento médio dos ocupados chegou a R$ 1.699,70 – segundo o IBGE, é o valor mais alto desde o início da série histórica. Subiu 1,2% em relação a janeiro e 4,4% na comparação com fevereiro do ano passado. Já a massa de rendimentos (R$ 38,7 bilhões) aumentou 1,6% e 5,8%, respectivamente.
Entre as regiões, na comparação com fevereiro de 2011 a taxa de desocupação teve declínio em Recife (5,1% no mês passado), Salvador (7,8%) e Belo Horizonte (4,7%). Subiu no Rio de Janeiro (5,7%) e permaneceu estável em São Paulo (6,1%) e Porto Alegre (4,1%). A taxa média de fevereiro deste ano corresponde à metade da apurada em igual mês de 2003 (11,6%).
Na comparação anual, a PEA (população economicamente ativa) cresceu 1,3%, na mesma intensidade do período 2011/2010. Já a ocupação subiu em ritmo menos intenso (1,9% em 2011/2012, ante 2,3% no período imediatamente anterior). O contigente de desempregados, que havia caído 12,4% em 12 meses em fevereiro do ano passado, agora cai 8,6%. Mesmo com os resultados demonstrando ritmo menor, refletindo a atividade econômica, o desemprego ficou abaixo de igual período de 2011, quando o IBGE registrou a menor taxa da série.
Fonte: Rede Brasil Atual.

terça-feira, 20 de março de 2012

Bancários mobilizados por isenção de IR na PLR


Medida Provisória com emendas que determinam isenção do imposto de renda na Participação nos Lucros e Resultados dos trabalhadores deve ir à votação a partir do dia 25
São Paulo - Representantes dos trabalhadores obtiveram compromisso do relator da Medida Provisória 556, deputado federal Jerônimo Goergen (PP-RS), de que serão mantidas as emendas à MP que estabelecem a isenção do imposto de renda (IR) na Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

Durante audiência com uma comitiva que representou bancários, metalúrgicos, químicos, eletricitários e petroleiros, o parlamentar antecipou que a votação da MP 556 deve ocorrer a partir do dia 25 de março. Desde o ano passado essas categorias estão em campanha nacional pela PLR sem IR. “Ter o compromisso de que as emendas que estabelecem a isenção serão mantidas no texto já foi um avanço. Agora todas as nossas atenções estão voltadas aos parlamentares, em Brasília, para que atendam nossa reivindicação e façam justiça aos trabalhadores”, destaca a presidenta do Sindicato, Juvandia Moreira.

As emendas ao projeto são de autoria dos deputados federais Vicentinho (PT-SP) e Paulo Pereira (PDT-SP). Além disso, existem dois projetos de lei que buscam a isenção do IR na PLR dos trabalhadores: um deles do próprio Vicentinho e o outro do ex-presidente do Sindicato e deputado federal, Ricardo Berzoini (PT-SP).

O presidente da CUT, Artur Henrique, ressaltou as diferenças que existem em relação ao tratamento dado ao pagamento da PLR e de dividendos de acionistas: “No Brasil, a distribuição de lucros e dividendos entre acionistas, assim como ganhos especulativos, não pagam imposto. Por outro lado, o trabalhador, que tem de fazer um esforço enorme para conquistar a PLR, tem de pagar imposto. Isso é uma injustiça”, afirmou o dirigente. “Para fortalecer o mercado interno e crescer, temos de por dinheiro no bolso do trabalhador.”

A MP 556 recebeu 41 emendas, das quais 12 foram aceitas pelo relator.

Mobilização – Para pressionar os parlamentares, bancários, metalúrgicos, químicos, petroleiros e eletricitários iniciarão uma série de manifestações nos próximos dias. “É importante que os bancários fortaleçam essa mobilização, participando das manifestações e enviando mensagens aos congressistas para que aprovem as emendas”, orienta Juvandia Moreira. ( Presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo.)

Fonte: SEEB- São Paulo.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Moradores de Rua uma triste realidade.


Desde abril de 2011, 165 moradores de rua foram mortos no país
Levantamento do CNDDH aponta que investigações de 113 de todos os casos não avançaram
Por: Alex Rodrigues, da Agência Brasil Atual.
Brasília – De abril de 2011 até a semana passada, 165 moradores de rua foram mortos no Brasil. O número divulgado hoje (15) pelo Centro Nacional de Defesa dos Direitos Humanos da População em Situação de Rua e Catadores (CNDDH) representa pelo menos uma morte a cada dois dias.
Segundo a coordenadora do centro, Karina Vieira Alves, as investigações policiais de 113 destes casos não avançaram e ninguém foi identificado e responsabilizado pelos homicídios. O CNDDH também registrou 35 tentativas de homicídios, além de vários casos de lesão corporal.
O Disque 100, serviço mantido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República para receber denúncias sobre violações de direitos humanos, registrou, durante todo o ano passado, 453 denúncias relacionadas à violência contra a população de rua. Casos de tortura, negligência, violência sexual, discriminação, entre outros. As unidades da Federação com o maior número de denúncias em termos absolutos foram São Paulo (120), Paraná (55), Minas Gerais e o Distrito Federal, ambos com 33 casos.
Embora expressivos, os números não traduzem a real violência a que estão expostas as pessoas que vivem nas ruas. De acordo com Karina, muitos dos crimes cometidos contra esta população não são devidamente notificados. Além disso, a falta de dados confiáveis que torne possível comparar a atual situação não permite concluir se a violência contra o grupo vem aumentando ao longo dos últimos anos. “Este é o número de denúncias notificadas. Sabemos que há problemas muito graves que não são denunciados”, disse a coordenadora-geral da Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos, Ivanilda Figueiredo, sobre os números do Disque 100.
Segundo os representantes de entidades de moradores de rua que participaram, hoje (14), da reunião extraordinária do Comitê Intersetorial de Monitoramento da População em Situação de Rua, em Brasília (DF), existe atualmente uma escalada da violência. De acordo com eles, as recentes mortes e agressões a moradores de rua no Distrito Federal e em Mato Grosso do Sul não foram casos isolados e só chegaram ao conhecimento da imprensa porque as famílias das vítimas exigiram providências.
“Eu todo dia recebo e-mails sobre mortes de moradores de rua. Elas estão acontecendo e vão continuar ocorrendo. Por isso, queremos uma ação enérgica do governo federal”, declarou Anderson Lopes, representante paulista do Movimento Nacional de População de Rua. Na opinião do representante mineiro do movimento, Samuel Rodrigues, o país vive um momento triste com os episódios de violência contra a população de rua. “Vivemos um momento bastante triste. Em 2004, o movimento nacional surgiu em função de uma morte. Naquele momento, nós discutíamos os direitos da população de rua. Hoje, estamos aqui discutindo o seu extermínio. Estamos lutando para não morrer.”
A reunião do comitê estava agendada para o fim do mês, mas foi antecipada após um comerciante ter contratado um grupo de jovens para matar dois moradores de rua de Santa Maria (DF). “Temos a responsabilidade de responder diretamente a esta escalada de violência e de mortes que estão ocorrendo nas ruas. Não se trata mais de fatos isolados”, disse a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário, referindo-se à “ação de grupos de extermínio” agindo no Distrito Federal, em Mato Grosso do Sul, Alagoas, São Paulo, na Bahia e em outros estados. “São grupos que banalizam a violência e que não reconhecem, em quem está nas ruas, a condição humana”.